
Resumo Rápido
De acordo com o Novo Testamento, o "dízimo" (a obrigação de dar 10% da renda) não é uma lei vinculativa para os cristãos, pois pertencia à Lei Mosaica. No entanto, a Bíblia chama os crentes a dar generosamente, "com alegria" e de forma "proporcional" à sua renda (2 Coríntios 9:7). Os cristãos contribuem livremente para apoiar a igreja, missões e os pobres, não por obrigação legal, mas por gratidão.
O assunto do dízimo cria frequentemente confusão entre os cristãos. Em algumas igrejas, a doação é enfatizada de forma tão forte que parece obrigatória. Noutras, é mencionada tão raramente que os crentes permanecem incertos sobre a sua responsabilidade.
As Escrituras apresentam uma perspetiva equilibrada. Embora o dízimo fosse um mandamento vinculativo sob a Lei Mosaica, a doação generosa e fiel continua a ser uma expressão vital da mordomia e adoração cristãs.
O dízimo no Antigo Testamento
No Antigo Testamento, o dízimo era um requisito específico e estruturado dado a Israel. Um dízimo era a décima parte da produção agrícola e do gado, separada para o Senhor. “Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao Senhor” (Levítico 27:30). O dízimo servia vários propósitos:
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Sustentava os levitas, que não tinham herança de terra e dedicavam-se ao serviço sacerdotal (Números 18:21, 24).
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Financiava o culto nacional e as celebrações das festas (Deuteronômio 14:22–27).
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Provia auxílio aos pobres, viúvas, órfãos e estrangeiros (Deuteronômio 14:28–29).
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Nesse sentido, o dízimo funcionava como um sistema divinamente ordenado que sustentava a vida religiosa, social e econômica de Israel. Alguns estudiosos descrevem-no como uma forma de tributação sagrada destinada a garantir a justiça, o culto e o sustento sacerdotal.
O cumprimento em Cristo
Com a vinda de Cristo, no entanto, a Lei Mosaica atingiu o seu cumprimento. Jesus não aboliu a lei, mas cumpriu o seu propósito (Mateus 5:17). O sistema cerimonial, incluindo os sacrifícios no templo e a estrutura sacerdotal, apontava para Ele.
Como Ele declarou, “os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (João 4:23). A adoração já não estava centrada num templo físico, mas no próprio Cristo. A Igreja, formada após a Sua ressurreição e ascensão, tornou-se o corpo espiritual através do qual a obra de Deus continua no mundo.
Porque o dízimo pertencia à Lei Mosaica, não é apresentado no Novo Testamento como um mandamento obrigatório para os crentes. Os cristãos não são instruídos a dar uma percentagem fixa. Em nenhum lugar o Novo Testamento exige uma contribuição de dez por cento
Contudo, isso não diminui a importância da generosidade financeira. Pelo contrário, muda o foco da obrigação para a participação voluntária na missão de Deus.
O princípio do sustento e generosidade
Paulo extrai um princípio forte do sistema do Antigo Testamento quando escreve: “Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tira o seu sustento? Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho” (1 Coríntios 9:13–14).
Da mesma forma, “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino” (1 Timóteo 5:17–18). Estas passagens mostram continuidade no princípio, mesmo onde a estrutura legal do dízimo já não se aplica. Aqueles que se dedicam ao ministério devem ser apoiados pela comunidade de crentes.
A doação no Novo Testamento também se estende para além da liderança da igreja local. Paulo elogia os filipenses por apoiarem a obra missionária (Filipenses 4:10–19). Ele organiza coletas para crentes empobrecidos (2 Coríntios 8).
A Igreja é chamada a cuidar das viúvas e daqueles que carecem de apoio familiar (1 Timóteo 5:3). A doação cristã é, portanto, tanto interna, sustentando a igreja, quanto externa, servindo os necessitados e promovendo o evangelho.
Doação proporcional e intencional
Em vez de uma percentagem fixa, as Escrituras enfatizam a doação proporcional e intencional. “No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade” (1 Coríntios 16:2).
Paulo esclarece ainda mais o princípio: “Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem e não segundo o que ele não tem” (2 Coríntios 8:12). O padrão não é a uniformidade, mas a fidelidade. Cada crente dá de acordo com a capacidade e circunstância.
A atitude do doador importa tanto quanto a quantia. “O que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Coríntios 9:6–7). A doação cristã não é coagida. Ela flui da gratidão, confiança e amor a Deus.
Uma abordagem prática
Alguns cristãos adotam o dízimo do Antigo Testamento como uma diretriz útil, vendo os dez por cento como um ponto de partida em vez de uma obrigação legal. Isso pode servir como um marco prático, mas nunca deve tornar-se uma nova lei.
Para alguns crentes, a generosidade pode significar dar mais de dez por cento. Para outros, particularmente em tempos de dificuldade, a doação fiel pode significar menos. O que importa é a sinceridade, o discernimento em oração e a obediência à direção de Deus.
Tiago encoraja os crentes a buscar a sabedoria divina: “Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus” (Tiago 1:5). Isso aplica-se diretamente à mordomia financeira. Dar não é apenas uma decisão financeira, mas um ato espiritual. Reflete a confiança na provisão de Deus e a participação na Sua obra.
Em resumo, a Bíblia ensina que o dízimo pertencia à Lei Mosaica e não é vinculativo para os cristãos. No entanto, os princípios subjacentes de generosidade, responsabilidade e adoração permanecem totalmente intactos.
A doação no Novo Testamento é voluntária, alegre, proporcional e propositada. Ela apoia o ministério, promove missões e cuida dos necessitados. Embora o dízimo já não seja um mandamento, uma vida de doação generosa permanece uma expectativa clara e duradoura para cada seguidor de Cristo.
Perguntas Frequentes
Exame acadêmico das principais questões teológicas, históricas e bíblicas abordadas neste guia.
Qual é a origem histórica e a fundamentação teológica pré-mosaica da prática do dízimo nas Escrituras?
A prática do dízimo antecede em mais de quatro séculos a promulgação formal da Lei mosaica no monte Sinai. Em Gênesis 14:18–20, o patriarca Abraão, após derrotar os reis confederados, entregou espontaneamente o dízimo de todos os despojos a Melquisedeque, rei de Salém e "sacerdote do Deus Altíssimo", reconhecendo sua superioridade espiritual e prefigurando o sacerdócio régio eterno do Messias (Hebreus 7:1–10). Igualmente, em Gênesis 28:20–22, Jacó fez um voto de consagração pactual em Betel prometendo entregar o dízimo de tudo o que Deus lhe concedesse. Esses eventos mostram que a entrega da décima parte surgiu originalmente como um ato de adoração espontânea, reverência filial e gratidão pactual à soberania de Deus sobre os bens criados.


