Herodes
"O nome de vários governantes da dinastia herodiana na Judeia durante o tempo do Novo Testamento."
Perfil Bíblico
Herodes (sem especificação adicional em alguns textos) refere-se a vários membros da dinastia herodiana que governou a Judeia e os territórios circundantes sob a autoridade romana. O nome abrange quatro gerações de governantes encontrados no Novo Testamento.
A dinastia começou com Herodes, o Grande (reinou 37-4 a.C.), que construiu o Templo de Jerusalém, massacrou os bebés de Belém e morreu pouco depois do nascimento de Jesus. Os seus magníficos projetos de construção foram igualados pela sua paranoia assassina — ele matou os seus próprios filhos quando suspeitou de conspiração.
Herodes Arquelau sucedeu na Judeia, mas foi tão brutal que Roma o removeu após dez anos. Os seus irmãos receberam outros territórios: Herodes Antipas governou a Galileia (o "Herodes" que matou João Batista e participou no julgamento de Jesus), e Herodes Filipe governou as regiões do nordeste.
Herodes Agripa I (reinou 41-44 d.C.), neto de Herodes, o Grande, reuniu brevemente o reino. Ele matou o apóstolo Tiago e prendeu Pedro para agradar aos líderes judeus. A sua morte por julgamento divino — ferido enquanto aceitava honras divinas — está registada em Atos 12.
Herodes Agripa II (governou vários territórios c. 50-93 d.C.) foi o último da dinastia, o "Rei Agripa" perante quem Paulo fez a sua defesa e que perguntou se Paulo pensava torná-lo cristão "em tão pouco tempo".
O nome "Herodes" liga assim múltiplos governantes, todos comprometidos na sua relação com os propósitos de Deus, todos exercendo um poder que, em última análise, serviu a soberania divina apesar das suas intenções.
Significado Teológico
A dinastia herodiana, ao tentar destruir ou cooptar a esperança de Israel, falhou repetidamente. Herodes, o Grande, não conseguiu matar o Messias recém-nascido; Herodes Antipas não conseguiu silenciar Jesus através da morte de João; Herodes Agripa I não conseguiu destruir a igreja matando apóstolos. A oposição humana não frustra o propósito divino.
A sua herança mista — governantes idumeus (edomitas) sobre o território judeu — tornou-os perpetuamente suspeitos perante os judeus observantes. Eles governaram o povo de Deus sem pertencer a ele. A autoridade política e a legitimidade espiritual não estão necessariamente alinhadas.
A degradação progressiva ao longo das gerações — desde as vastas ambições de Herodes, o Grande, até à confortável irrelevância de Herodes Agripa II — ilustra como as dinastias declinam. A família que outrora aterrorizava acabou por se tornar apenas curiosa, ouvindo Paulo mas não mudando nada.
O julgamento de Deus sobre Herodes Agripa I por aceitar a adoração divina mostra que mesmo a oposição aparentemente bem-sucedida atinge limites divinamente estabelecidos. Ele matara Tiago; planeava matar Pedro; então os vermes comeram-no. O poder tem datas de validade que só Deus define.
Os seus projetos de construção — particularmente o Templo — criaram espaços que serviram os propósitos de Deus, apesar do caráter dos construtores. O Templo de Herodes, o Grande, foi onde Jesus ensinou, onde o Pentecostes ocorreu, onde a igreja primitiva se reuniu. Deus usa até as construções dos Seus inimigos.
Referências Bíblicas
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