Barjesus (Elimas)
"O feiticeiro a quem Paulo deixou cego em Chipre."
Perfil Bíblico
Barjesus (também chamado Elimas) foi um feiticeiro judeu e falso profeta cuja oposição à pregação de Paulo em Chipre resultou numa cegueira temporária — um julgamento dramático que levou à conversão do governador romano.
Ele aparece em Atos durante a primeira viagem missionária de Paulo. A igreja em Antioquia, liderada pelo Espírito, tinha comissionado Barnabé e Saulo (Paulo) como missionários. Eles navegaram para Chipre, a ilha natal de Barnabé, e atravessaram-na pregando nas sinagogas. Em Pafos, a capital ocidental, encontraram o procônsul romano Sérgio Paulo.
O governador era "homem prudente" que "desejava ouvir a palavra de Deus." Ele convocou Barnabé e Paulo para explicarem a sua mensagem. Mas entre os seus assistentes estava Barjesus, um mágico judeu que de alguma forma tinha ganhado posição na casa do governador. O seu sustento e influência dependiam do seu papel como conselheiro e fazedor de prodígios.
Os seus nomes são instrutivos. Barjesus significa "filho de Josué" ou "filho do salvador" — ironicamente nobre para um falso profeta. Elimas é explicado como significando "feiticeiro" ou "mágico", aparentemente o seu título profissional. Ele ocupava o espaço desconfortável de um judeu que praticava magia proibida pela Torá enquanto afirmava ter dons proféticos.
Quando Paulo começou a apresentar o evangelho a Sérgio Paulo, Barjesus interveio. He "lhes resistia, procurando apartar da fé o procônsul." A sua motivação parece óbvia: se o governador se tornasse cristão, que necessidade teria ele de um mágico pagão? A posição de Barjesus estava ameaçada.
A resposta de Paulo foi devastadora. "Cheio do Espírito Santo", ele olhou diretamente para Barjesus and pronunciou o julgamento: "Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?" O jogo de palavras foi agudo — ele era chamado "filho do salvador", mas era na verdade um "filho do diabo."
Depois veio a sentença: "Eis aí, pois, agora contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo." Imediatamente, a escuridão cobriu os olhos do feiticeiro. Ele andava tateando, procurando quem o levasse pela mão.
O efeito sobre Sérgio Paulo foi decisivo. Vendo o que aconteceu ao mágico — e reconhecendo o poder divino que o seu feiticeiro não conseguia igualar — o governador creu. A própria oposição que pretendia impedir a conversão tornou-se a ocasião para ela. A cegueira de Barjesus abriu os olhos do governador.
Significado Teológico
Barjesus ilustra como o engano espiritual pode usar vestes religiosas. Ele era judeu, chamado "filho do salvador", reivindicando dons proféticos — no entanto, praticava magia proibida e opunha-se ao evangelho. A linhagem e a linguagem religiosas não garantem uma espiritualidade autêntica. Lobos podem usar peles de cordeiro.
A sua cegueira espelhava a sua condição espiritual. Aquele que desviava os outros agora precisava de ser levado pela mão. Aquele que afirmava ver realidades espirituais não conseguia ver a luz do sol. O julgamento físico encenou a verdade espiritual — Barjesus tinha estado cego o tempo todo; agora a sua cegueira tornava-se visível.
A especificação de que a cegueira foi "por algum tempo" sugere misericórdia dentro do julgamento. Ao contrário de alguns julgamentos bíblicos que foram permanentes, Barjesus recebeu uma incapacidade temporária. Se ele usou esse tempo para o arrependimento, a Escritura não o diz. Mas a limitação implica oportunidade e não uma condenação final.
O confronto de Paulo demonstra que a oposição espiritual por vezes requer uma repreensão direta. Ele não ignorou Barjesus, não procurou um compromisso, não tratou a sua feitiçaria como uma questão de escolha pessoal. Quando alguém trabalhava ativamente para impedir a conversão, Paulo confrontou-o com autoridade divina. A tolerância tem limites quando o evangelho está em causa.
A resposta do governador — crendo depois de ver Barjesus ficar cego — mostra como Deus usa até a oposição para cumprir os Seus propósitos. Barjesus pretendia impedir a conversão; o seu julgamento ocasionou-a. Os servos de Satanás por vezes servem os propósitos de Deus contra a sua vontade. Os esquemas do inimigo podem tornar-se o instrumento da sua derrota.
Referências Bíblicas
Perguntas Frequentes
Identidade
Por que ele tinha dois nomes?expand_more
Barjesus era o seu nome patronímico judeu (Filho de Jesus). Elimas é possivelmente uma tradução do seu título ou ocupação como 'mago' ou 'feiticeiro'.
Teologia
O que aprendemos do julgamento de Barjesus?expand_more
O seu castigo demonstra que Deus se opõe ativamente àqueles que pervertem o caminho do Senhor ou tentam impedir que outros venham à fé. A sua cegueira física era um reflexo da sua cegueira espiritual.
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